sábado, 21 de agosto de 2010

Review : Call of Duty Modern Warfare 2

A continuação triunfante de CoD 4

Call of Duty: Modern Warfare 2 continua a história de seu antecessor (vale lembrar que não é o último game lançado, World at War que voltou a abordar o tema da II Guerra, mas sim o quarto game da franquia) 5 anos após os acontecmentos de Modern Warfare. As coisas estão muito diferentes, com Capitão Price fora de cena, Soap é promovido a capitão da força-tarefa conhecida como “Task Force 141”, mas o game coloca você na pele de vários soldados, entre eles Joseph Allen, Roach e James Ramirez.

Em uma das campanhas de marketing mais amplas e bem sucedidas da história dos games, a Activision apostou alto na continuação, investindo cerca de 50 milhões de dólares para o desenvolvimento pela Infinity Ward e mais US$ 200 milhões só no marketing para o lançamento, cifra nunca antes alcançada por um game. O investimento não foi em vão, com um título forte e que chegou nas três principais plataformas do momento - PC, Xbox 360 e PS3 - parando o mercado e ocupando uma importante faixa da atenção de todos.

Mas será que realmente Modern Warfare 2 faz por merecer todo este mérito e cacife na divulgação? Ou houve algum exagero no marketing pela publisher para aumentar o seu hype? Nos acompanhe em mais esta review e descubra.

Belos gráficos com jogabilidade simplificada

No quesito gráfico Modern Warfare 2 leva a engine IW 4.0 (que teve origem em CoD 4) aos seus limites, com novos efeitos de partícula, iluminação e texturas incrivelmente detalhadas. A ambientação não faz feio também, com uma ação desenfreada, de prisões na Rússia a favelas no Rio de Janeiro, o jogo garante que você fique sem ar e por algumas vezes, contando com explosões, aviões, helicópteros e muitas outras armas de guerra durante suas missões.

Ao iniciarmos a campanha solo, já percebemos uma grande mudança do jogo, relacionada à inteligência artificial (AI). Se você odiava os inimigos infinitos de CoD 4, pode ficar aliviado pois este problema foi resolvido em Modern Warfare 2. Desta vez os inimigos estão mais inteligentes, eles irão te flanquear, utilizar flashbangs e mudar de rota ou atitude toda vez que você reiniciar uma fase.
Mas assim como estão mais inteligentes, o arsenal de armas foi ampliado, temos agora sensores de batidas de coração, mísseis Predators, e muitas outras novidades.

No controle do game não temos muita novidade, as teclas de ação e movimentação são praticamente a mesma coisa de seu antecessor, tendo a mudança mais significativa no HUD (interface do usuário) do jogo que foi todo reformulado e está mais agradável. Neste quesito, o jogo deixou um pouco a desejar, pois nem mesmo a opção de se curvar para os lados enquanto atira, como tínhamos no primeiro Modern Warfare, foi mantida, deixando a jogabilidade bem simplificada e limitada entre os recursos para bolar diferentes estratégias. Nem pense em outros recursos mais avançados, como se esquivar em esquinas ou cantos do cenário, tiros às cegas, etc, a jogabilidade se manteve no básico e pode parecer até um retrocesso comparado a outros shooters da atualidade.

Campanha curta e polêmica, mas de tirar o fôlego

A campanha, apesar de boa, infelizmente tem duração bem curta. Mesmo no modo Veteran (mais difícil), conseguimos terminar com menos de 8 horas de jogo. É pouco para um game de tanta expectativa, ainda mais se levar em conta que muitos jogam com dificuldade regular, que permite terminar em ainda menos tempo. Aliás, já vale a dica, pois se você tem ao menos um pouco de experiência, comece pelo menos no Hardened ou o game acabará ficando muito fácil.

Tirando a curta duração, a campanha é emocionante e prende o jogador do início até o fim. Cheia de momentos de tensão e reviravoltas em momentos críticos, os jogadores se sentem estimulados como nos melhores filmes de ação de Hollywood. As missões alternam entre as diferentes localidades, como um deserto no Afeganistão, geleiras da Rússia, duas fases que se passam na favela do Rio de Janeiro, cidades dos EUA invadidas pelos russos e até mesmo a capital Washington totalmente destruída com a Casa Branca em ruínas e em chamas, enquanto você tenta chegar até o presidente com vida.

A polêmica também não ficou de fora da campanha, graças à missão “No Russian” (logo no começo) que trouxe bastante controvérsia e repulsão de parte do público. Nesta missão, o jogador está infiltrado num bando de terroristas e se coloca ao lado de Vladimir Makarov – um dos principais vilões da campanha – com a missão de invadir um aeroporto localizado na Rússia e atirar em todos os civis que encontrarem pela frente até chegar ao objetivo final. É preciso lembrar que Modern Warfare 2 tem classificação etária para adultos (18 anos), mas muitos ainda criticaram o game pela fase considerada de mal gosto.

Para nós, sinceramente não foi uma experiência chocante ou que trouxe uma má impressão, pois encaramos como um game de ação que justamente quis mostrar um lado diferente de tudo. Da mesma forma como a franquia GTA, não consideramos isso um agravante para incentivar ninguém normal a matar pessoas na rua, apenas encaramos como um conteúdo para entreter adultos. É possível, porém, apaziguar este conteúdo caso o jogador escolha no começo da campanha que prefere um conteúdo de violência mais moderado, o que reafirma a liberdade de escolha promovido pela desenvolvedora, para que todos possam aproveitar a campanha solo.

Ainda que tenha uma curta duração e esse conteúdo polêmico, a campanha de Modern Warfare 2 ainda merece elogios pela forma como é contada. As missões são bastante emocionantes e mexem com o jogador. Diferente de games que não conseguem segurar o jogador por tanto tempo, é muito fácil você acabar jogando este lançamento até o final em uma só sentada, em especial se for curioso para saber como as coisas terminam, depois de tantas reviravoltas.

Multiplayer completo e empolgante, com restrição ao PC

Se por um lado a campanha solo é de curta duração, muitos jogadores esperavam mesmo pelos modos multiplayer de Modern Warfare 2, tendo em vista a excelente recepção que o primeiro Modern Warfare teve nas partidas online. Com relação a este quesito, podemos dizer que, no mínimo, a Infinity Ward conseguiu cumprir as expectativas de um multiplayer maduro e bem desenvolvido, com muitas opções e recursos.

A principal crítica deste modo, porém, está entre os jogadores de PC. Isso porque embora este tenha sido o primeiro lançamento no PC a custar o mesmo do que um lançamento de ponta nos consoles de última geração (até então, os jogos de PC custavam US$ 10 a menos nos EUA), o estúdio não trouxe os benefícios que se esperavam, como por exemplo servidores dedicados. A principal crítica foi com relação ao sistema que necessita sempre que as partidas estejam ligadas pela IWnet, um sistema de matchmaking da própria Infinity Ward, acabando assim com a opção de manter servidores dedicados e trazer para outros países, como no Brasil. A outra grande reclamação foi quanto ao número máximo de jogadores por servidor, que ficou limitado a 18 (9 para cada lado), enquanto que no Modern Warfare 1 era de 32, número também considerado baixo para os jogadores de PC.

Mesmo assim, constatamos vários pontos positivos em nossos testes, porém outros negativos. A IWnet funciona sim e muito bem, o lag é praticamente inexistente, embora aconteça de algumas vezes você entrar numa sala onde o Host é distante e seu ping acaba ficando altíssimo e tendo grande desvantagem nas partidas. Ao todo no multiplayer temos 16 mapas, e o sistema de Ranking agora traz muitas novidades. Cada jogador tem um título e um emblema, como se fosse o seu cartão de visita, ligado ao nível/ranking alcançado. Armas novas também estão presentes no multiplayer, como a SCAR-H, FAMAS, ACR, entre muitas outras. Os Perks (habilidades) também voltaram, só que em menor numero, porém agora com a chance de serem evoluídos pelo sistema de desafios que também volta nesta versão, com muito mais desafios.

Os Killstreaks também tiveram novidades, agora você pode chamar de UAVs e helicópteros a bombas nucleares e Aviões controlados por você. Foi adicionado também os Deathstreaks, caso você morra um numero X de vezes você terá direito a isto, como, por exemplo, ter mais vida, copiar a classe do inimigo que te matou, deixar uma granada cair ao morrer, entre outros. A ultima, porém não menos interessante, adição do modo multiplayer foi a habilidade de jogar em terceira pessoa, se tornando assim um shooter ao estilo Gears of War, mas devo salientar que, apesar de interessante, a movimentação do personagem ficou pra lá de estranha e esperamos que a Infinity Ward melhore bastante este aspecto em seu próximo jogo.

Modern Warfare 2 tem tudo, mas poderia ter um pouco mais

No geral, Call of Duty: Modern Warfare 2 não inova como muitos esperavam, mas consegue divertir com maestria, e muito. Apesar da campanha curta, ela se mostra muito divertida e envolvente e o multiplayer bate um bolão e merece ser jogado por horas e horas. Os gráficos são de encher os olhos, assim como os efeitos de som, músicas e falas dos personagens, completando aquilo que se espera de um grande game.

Ainda assim, os valores gastos pela Activision no marketing nos deixa um pouco preocupado, pois temos certeza que a Infinity Ward poderia ter ido um pouco além e criado um game ainda melhor e com as inovações que todos gostariam de ver para ganhar nota máxima. Sem tirar os méritos do jogo, que de fato é um dos mais divertidos que jogamos nos últimos anos, mas acaba deixando aquele gostinho na boca de que ficou tão perto de ser perfeito e acabou derrapando na última curva.

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